terça-feira, 7 de abril de 2020

2 - DIFERENÇA ENTRE LER E CONTAR HISTÓRIAS


Contar uma história é diferente de ler uma história. O contador de histórias cria imagens que ajudam a despertar as sensações e a ativar no ouvinte os sentidos: paladar, audição, tato, visão e olfato. Assim, suas narrativas são carregadas de emoção e repletas de elementos significativos, como gestos, ritmo, entonação, expressão facial, silêncios. Tais elementos proporcionam uma interação direta com o público e implicam improvisação e interpretação.

O contador recria o conto junto com seu auditório, conservando algumas partes do texto. No entanto, as modifica, conforme a interação que estabelece com o público. O leitor de histórias, por sua vez, empresta sua voz ao texto, respeitando a estrutura linguística da narrativa, bem como as escolhas lexicais do autor. Ler uma história é uma forma de apresentar a obra conforme sua linguagem original. Contar histórias envolve improvisação, interação e elementos agregados.

Leitura e contação de histórias são duas formas diferentes, mas importantes. Um texto escrito segue as normas da língua escrita, que são completamente diferentes daquelas da linguagem falada. Quando uma criança ouve a leitura de uma história ela introjeta funções sintáticas da língua, além de aumentar seu vocabulário e seu campo semântico.

Aquele que lê a história deve dominar a arte de contá-la, estar preparado suficientemente para fazê-lo com apoio no texto, sabendo utilizar o livro como acessório integrado à técnica da voz e do gesto. Quem lê para uma criança não lhe transmite apenas o conteúdo da história; promovendo seu encontro com a leitura, possibilita-lhe adquirir um modelo de leitor e desenvolve nela o prazer de ler e o sentido de valor pelo livro.

1 - O QUE É A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS


O termo “contação de histórias” é uma expressão relativamente recente, livremente traduzida e adaptada do castelhano "cuentacuentos" que, por sua vez, pode significar tanto o ato de se contar histórias, quanto o próprio contador. Na língua inglesa, o termo "Storytelling", similar a contação de histórias, se refere ao ato ou capacidade de narrar um fato ou história, seja de forma improvisada ou planejada.

Na atualidade, a contação de histórias é usada também para difundir o conhecimento didático nas escolas, mesmo que não configure sua função principal. O fato é que o ato é uma das práticas mais remotas da humanidade, tendo em vista que o ser humano conta histórias desde o início do desenvolvimento das habilidades de comunicação e da fala trocar experiências, em momentos de confraternização, entre outros.

A contação de histórias também ajudava os povos antigos a passarem o tempo e a vencerem o tédio. Além disso, são também a maneira mais significativa que a humanidade encontrou para expressar as experiências que nas narrativas realistas não aconteciam. Com o passar dos anos, as histórias se tornaram uma forma de preservar as culturas e os valores, e de compartilhar o conhecimento com outros povos e gerações posteriores.

Desta maneira, não há como negar que as histórias tiveram um importante papel no processo evolutivo da humanidade. As histórias despertam a imaginação, as emoções, o interesse e as expectativas. Ouvir uma história e/ou contá-la e recontá-la é uma maneira de preservar as culturas, os valores e compartilhar o conhecimento. Faz parte da tradição de vários povos desde os mais antigos tempos.

Narrativas orais são passadas de geração a geração desde o início da humanidade, num movimento de recriação. A absorção da cultura está ligada à contação de histórias, já que muitas vezes os valores culturais de um povo estão impressos na prática. Ao mesmo tempo em que serviu, ao longo dos anos, como recurso de comunicação, a contação de histórias despertava imaginação, emoções, interesse e expectativas dos ouvintes.

Através de todos os estímulos gerados pela contação de histórias, foi percebido que através delas, as pessoas são capazes de absorver valores morais e sociais. É nesse contexto que entra a importância desta como prática educativa, pela qual as crianças podem começam a desenvolver a imaginação, a criatividade, o gosto pela leitura e pela linguagem, criando empatia com os personagens.

A contação de histórias desperta o lado lúdico, característica muito importante para o desenvolvimento infantil. É no lúdico que a criança desenvolve criatividade e senso crítico. As histórias são ferramentas para ajudar as crianças na observação, reflexão e memória, sendo também sensações experimentadas por quem escuta uma história. Assim, as escolas compreenderam que esta técnica é poderosa na educação dos seus alunos.

Além de ensinar a ler e a escrever, é dever da instituição de ensino criar nas crianças o hábito e gosto do aluno em consumir histórias, livros, contos, crônicas e literatura.

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